COVID-19 e outros vírus podem causar dor crônica nos testículos? Entenda o estudo da USP
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A dor crônica na região escrotal afeta a qualidade de vida de diversos homens ao redor do mundo, interferindo na rotina diária, na prática de exercícios e na vida sexual. Contudo, cerca de 50% dos pacientes que buscam atendimento médico não recebem uma explicação conclusiva para a sua condição.
Para lançar luz sobre esse gargalo diagnóstico, nossa equipe na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), sob coordenação do Dr. Jorge Hallak, conduziu um estudo de revisão sistemática, publicado na revista científica Basic and Clinical Andrology, que aponta a relação entre infecções virais prévias e a dor persistente nos testículos.
O que é a dor crônica nos testículos?
Trata-se de um desconforto ou dor contínua e recorrente percebida nos testículos, nos epidídimos ou na bolsa escrotal por semanas ou meses. Embora causas como traumas, torção testicular, hérnias, cirurgias e varicocele sejam amplamente conhecidas, uma parcela expressiva dos pacientes permanece sem resposta após exames convencionais.
Como os vírus podem afetar a estrutura testicular?
Historicamente, as investigações médicas priorizam causas bacterianas diante de inflamações escrotais. Contudo, a revisão de 61 estudos científicos demonstrou que patógenos como SARS-CoV-2, Zika, HIV, caxumba, herpes simples e hepatite B possuem a capacidade de invadir o trato reprodutor masculino e provocar reações duradouras.
Os pesquisadores identificaram três hipóteses principais que explicam a persistência da dor crônica nos testículos:
Degeneração walleriana: É uma hipótese que a exposição continuada a um processo inflamatório intenso pode danificar a estrutura das fibras nervosas, tornando as terminações hipersensíveis e gerando dor crônica mesmo após o fim da infecção.
Ruptura da barreira hematotesticular: Vírus como o da Zika e o SARS-CoV-2 podem romper o escudo de proteção dos túbulos seminíferos. O consequente recrutamento descontrolado de células imunes (linfócitos e macrófagos) causa edema, lesão no epitélio e degeneração de células germinativas.
Reações autoimunes e citocinas: A liberação prolongada de citocinas inflamatórias pelo sistema imune pode fazer com que o próprio organismo passe a agredir tecidos do sistema reprodutor masculino.
Riscos para além da dor: testosterona e fertilidade
A dor é apenas um dos alertas do organismo. As sequelas de infecções virais no testículo podem evoluir para fibrose, atrofia dos túbulos seminíferos e comprometimento das células de Leydig — responsáveis pela produção de testosterona.
Mesmo em pacientes com níveis hormonais aparentemente normais em exames de rotina, observa-se frequentemente um esforço compensatório maior do organismo para manter essa produção, o que pode antecipar o surgimento do hipogonadismo precoce (deficiência de testosterona) e afetar a fertilidade ao longo da vida.
A importância do diagnóstico preciso
Muitas infecções virais testiculares são subclínicas — ou seja, não causam febre nem sintomas agudos graves —, passando despercebidas. Ainda assim, estas infecções podem afetar o potencial reprodutivo do homem. Uma avaliação especializada é fundamental para o diagnóstico e tratamento adequado, com realização de exames moleculares (PCR) aliados ao acompanhamento médico regular.
Conclusão: Priorize sua saúde reprodutiva e hormonal
Dor ou desconforto recorrente na região genital nunca devem ser ignorados. A saúde masculina vai muito além do pênis ou da função erétil: cuidar dos testículos é fundamental para manter a vitalidade hormonal e a fertilidade em todas as fases da vida.
Deseja investigar incômodos persistentes ou realizar uma avaliação completa da sua saúde reprodutiva e hormonal?
Agende uma consulta para uma investigação médica especializada com a equipe do Dr. Jorge Hallak.




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