Fratura de prótese peniana maleável: estudo com o Dr. Jorge Hallak reúne 17 anos de experiência de um centro terciário brasileiro

A fratura de prótese peniana maleável é uma complicação pouco divulgada, mas clinicamente relevante. Um estudo publicado no International Braz J Urol (IBJU), com coautoria do Dr. Jorge Hallak, analisou 17 anos de experiência do Serviço de Urologia do Hospital das Clínicas da FMUSP e concluiu que a fratura foi a principal causa de reoperação entre os pacientes que precisaram de revisão cirúrgica da prótese.
O que é a fratura de prótese peniana maleável?
A prótese peniana maleável é um implante semirrígido, colocado cirurgicamente nos corpos cavernosos do pênis, que permite ao paciente posicionar o órgão para a relação sexual. Ela é indicada para homens com disfunção erétil que não respondem, não toleram ou têm contraindicação a tratamentos menos invasivos, como medicamentos orais, injeções intracavernosas e ondas de choque. A disfunção erétil afeta mais de 50% dos homens acima dos 40 anos, e a prótese segue sendo considerada o tratamento de referência nos casos refratários.
A fratura ocorre quando o desgaste do material compromete a estrutura do implante. Pode haver fadiga do núcleo metálico, ruptura da cobertura de silicone ou ruptura completa dos dois. No Brasil, a prótese maleável é coberta tanto pelo SUS quanto pelos planos de saúde, o que a torna a opção mais acessível, e por isso conhecer suas complicações é importante.
Como foi feito o estudo?
Os pesquisadores revisaram os prontuários de homens operados entre janeiro de 2008 e janeiro de 2025 no HC-FMUSP. Nesse período, foram realizadas 741 cirurgias de prótese peniana: 643 implantações primárias e 98 reoperações. Em 52 reoperações, realizadas em 39 pacientes, a fratura foi confirmada durante a cirurgia. O Dr. Jorge Hallak, que integra o Serviço de Urologia do HC-FMUSP, é um dos autores sêniores do trabalho.
Os pacientes tinham, em mediana, 60,5 anos na época do implante. Hipertensão (74,4%) e diabetes (35,9%) foram as comorbidades mais frequentes. Por incluir apenas pacientes reoperados, o estudo não permite calcular a incidência real de fraturas, e sim a participação delas entre as causas de revisão cirúrgica.
Com que frequência a fratura causa reoperação e depois de quanto tempo ela aparece?
A fratura foi responsável por 53,1% das reoperações (52 de 98), seguida por instabilidade sem fratura (18,4%), mau posicionamento do implante (10,2%) e infecção ou extrusão (8,2%).
O tempo mediano entre o implante e o início dos sintomas foi de 59 meses. A distribuição foi a seguinte:
Menos de 1 ano: 11,5% dos casos.
De 1 a 5 anos: 40,4% dos casos.
De 5 a 10 anos: 40,4% dos casos.
Mais de 10 anos: 7,7% dos casos.
Houve ainda fraturas recorrentes em 28,2% dos pacientes (11 de 39), que precisaram de mais de uma cirurgia de troca.
Quais são os sinais de que a prótese pode ter fraturado?
O principal sinal é a instabilidade peniana, relatada por 96,1% dos pacientes: o pênis não mantém o alinhamento ou a rigidez durante a atividade sexual. Os demais achados foram:
Dificuldade de penetração: presente em cerca de 77% dos pacientes, e outros 15,4% com impossibilidade completa de penetração.
Dor: relatada por 21,1% dos casos.
Sem prejuízo funcional: 7,7% dos pacientes não perceberam alteração na penetração.
Como a dor é menos frequente do que se imagina, a ausência de desconforto não descarta a fratura. A queixa de instabilidade merece atenção por si só.
Como é feito o diagnóstico da fratura?
O exame físico feito pelo urologista foi o método mais eficaz do estudo. Ele consiste na palpação sistemática do corpo do pênis, combinada com compressão axial suave e flexão controlada da prótese, em busca de perda focal de rigidez, degrau palpável, angulação anormal ou crepitação.
Exame físico: identificou a fratura em 88,5% dos casos (46 de 52).
Radiografia: detectou a fratura em 81,2% dos pacientes que a realizaram (26 de 32).
Ressonância magnética: apenas 18,2% dos laudos descreveram a fratura (2 de 11).
Os autores, entre eles o Dr. Jorge Hallak, explicam que fraturas do silicone fora do eixo metálico podem não aparecer na radiografia e que a sobreposição dos componentes dificulta a leitura da ressonância. As imagens não seguiram protocolo padronizado, o que limita a comparação direta. Em casos selecionados, a avaliação clínica pode ser suficiente para indicar a cirurgia de revisão.
Onde a prótese costuma fraturar e por quê?
Em 51,9% dos casos (27 de 52) as fraturas foram bilaterais, e em 61,3% dos relatórios cirúrgicos analisados havia mais de um ponto de desgaste por haste. A localização predominante foi a proximal, em 77,1% dos casos com descrição detalhada.
Esse padrão sugere que a causa principal seja a fadiga cumulativa do material, provocada por flexões repetidas ao longo dos anos, e não uma sobrecarga isolada. Os autores levantam a hipótese de que dobrar o implante com frequência, por exemplo para posicioná-lo ou ocultá-lo, possa contribuir, mas os dados comportamentais do estudo foram limitados a 11 pacientes e não permitem confirmar fatores de risco. Também não houve fraturas nos implantes de 12 e 13 mm de diâmetro, disponíveis apenas a partir de 2019, mas esses pacientes tinham menos tempo de seguimento, e a comparação não é conclusiva.
Qual é o tratamento e quais as limitações do estudo?
O tratamento da fratura é a cirurgia de revisão, com troca do implante. Nas revisões analisadas, não houve complicações durante a operação. Em 53,8% dos casos, o novo implante tinha diâmetro e/ou comprimento maior que o anterior.
Os próprios autores apontam as limitações: estudo retrospectivo, de um único centro, com análise de um único modelo de prótese maleável (de núcleo em fio de prata trançado), e sujeito a viés de seleção. Por isso, os resultados podem não se aplicar a outras arquiteturas de implante. Estudos prospectivos e multicêntricos são necessários para identificar fatores de risco modificáveis e orientar o desenvolvimento de dispositivos mais duráveis.
Conclusão: atenção aos sinais é o primeiro passo para o cuidado
A fratura de prótese peniana maleável é uma complicação subnotificada e importante, e o diagnóstico depende, antes de tudo, de uma avaliação clínica cuidadosa. O estudo, com coautoria do Dr. Jorge Hallak, reforça que o médico deve manter alto grau de suspeição diante de queixas de instabilidade peniana. Quem tem prótese e percebe instabilidade, perda de alinhamento ou dificuldade de penetração deve procurar um urologista, sem esperar a piora dos sintomas. O acompanhamento regular, mesmo após o período inicial de seguimento, ajuda a reconhecer o problema mais cedo e a planejar o tratamento com segurança.
Está com dúvidas sobre a sua prótese peniana ou sobre o tratamento da disfunção erétil? Agende uma consulta com a equipe do Dr. Jorge Hallak.
Referência científica:
Horta M, Teixeira TA, Nagato DC, Neto CV, Lima GPO, Pato EZS, Goes PM, de Bessa Jr J, Nahas WC, Hallak J, Nascimento BCG. Malleable penile prosthesis fractures: lessons learned from 17 years of experience at a tertiary center in Brazil. Int Braz J Urol. 2026;52(5):e20260166. doi: 10.1590/S1677-5538.IBJU.2026.0166




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